quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Terceira etapa

3 etapa: Saint Genis Laval
Puy-en Velay 130km
Toda a alegria se manifestou em ver a realidade do meu sonho. A vontade em pedalar era evidente em mim, estava à deriva por isso dei liberdade aos meus pensamentos, eram tantos que nem me lembro a ordem de chegada. Tudo estava claro em mim, tão claro que só pensava em começar o quanto antes…vamos Bilou, dizia eu ao meu afilhado, estou ansioso em pedalar. E lá fomos ouvindo música, trauteando…até foi rápido.
 Nesta etapa nada fazia prever o que me aconteceu ao entrar em St Etiene. Comecei por ter algumas dificuldades para me orientar. Grandes avenidas, semáforos por todo o lado e muita falta de informação para Puy-en-Velay. Pedalava eu para a saída desta terrível cidade, quando fui assediado por 3 jovens árabes, tentando queimar a minha bandeira com a beata de um cigarro e com o carro obrigando-me a encostar. Estava a ser perseguido, questionavam-me sobre o que fazia ali, que a minha bicicleta era muito boa,isto nuns eternos minutos. Senti uma pancada no braço esquerdo, saltei para a zona de relva ao lado da estrada e fuji em sentido contrário fazendo a grande descida que antes subia, a grande velocidade com destino ao centro da cidade, sem mais os voltar a ver. Telefonei ao meu afilhado para vir ao meu encontro e aí, contei-lhe mais ou menos o que me levava a provavelmente desistir em continuar a minha viagem.
O desânimo era total. Percorri alguns km de carro até zona segura, Firminy.
 


Voltei à bicicleta sem grande convicção, sem forças e vontade para pedalar. Estradas muito largas,muito trânsito, subidas pequenas mas constantes e com o passar do tempo e muitos filmes na mente, consegui chegar a Puy-en-Velay.

Mas que boa surpresa, ainda bem, pois estava a precisar libertar-me dos negativismos vividos em todo o tempo que pedalei neste dia. Levei algum tempo a me dedicar única e exclusivamente a apreciar o que de belo tinha esta cidade. Ficamos admirativos contemplando fugazmente por onde íamos passando e de repente mas que Catedral imponente bem lá no alto.Havia sede e vontade de repouso… toca a ocupar lugares na grande esplanada e vamos a elas, fresquinhas e ávidas em nos sacear. Depois de recompostos e hidratados, decidimos ir percorrendo cidade dentro, as ruelas de calçada antiga e repletas de povo, escadarias em todas as direções, mas sem dúvida a mais difícil foi a que nos levou até ao interior da catedral, interminável com gente subindo, descendo e muitos sentados por aqueles degraus acima e abaixo, à medida que íamos subindo. Algumas fotos, olhar para a esquerda e para a direita, para cima e para traz, até me encontrar em frente da imagem de Santiago de Compostela. Ela de madeira e sem o ante-braço e mão direitos.
Estava-mos em amena cavaqueira silenciosa  com o Santo, eu o Abílio e a Clara, quando apareceu uma freira a tratar de limpar um pouco à volta do Santiago, aproveitei o momento para meter conversa sobre como se passava para obter o carimbo no meu passaporte de peregrino, contando-lhe desde onde vinha e para onde tencionava ir.
A religiosa disponibilizou-se logo a tratar do meu carimbo e ao mesmo tempo deu-me duas medalhas que supostamente seriam benzidas no final da missa no dia seguinte. Medalhas essas que ofereci, uma à Graça minha grande companheira e a outra , ao meu grande amigo Marcelo Carioca.
Depois da Catedral, os três percorremos a cidade velha, subimos muitos mais degraus até à cabeça da grande imagem de Nossa Senhora de Puy e pelo interior desta. De seguida e sempre a descer passagem pelo hotel, fazer o habitual e voltar a saír. Bebemos umas cidras e um excelente jantar, onde um mês mais tarde, voltei como prometido com a minha dulcineia.






2 comentários:

  1. Que cidade fantástica le Puy en Velay: a entrada na Catedral é surreal bem como os dois montes que a ladeiam - não subimos ao monumento a Nsa Sra mas subimos ao Santuário de Saint Michel d'Aiguilhe que coisa fabulosa.... de boa vontade lá voltaria....

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    1. Olá Nany, é verdade que esta cidade tem coisas muito intéressantes a ver e a rever. Felizardo como sou, em breve volto por lá a passar com o meu amigo Marcelo Andrade.

      O meu muito obrigado pelo teu comentário e daqui para vocês um forte abraço.

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