Bem cedo e molhado pelo
ressoado da tenda, o meu acordar foi bem matinal mas não foi essa a razão
principal.
Por apenas dois km esta
era a etapa mais curta e a última da minha viagem. Tinha
decidido terminar em Santiago muito por culpa do final da etapa do dia
anterior. Fui obrigado a terminar
esta minha aventura com a minha BTT, não é que ela fosse muito inferior à que
me tinha levado até ali, talvez fosse mesmo o desânimo de não estar muito bem
psiquicamente pelos acontecimentos anteriores.
Mais uma vez noite
escura quando me fiz à estrada e como sempre independentemente das horas do
dia, as respetivas luzes para ser visto eram fieis ao posto. Senti as mesmas
sensações como quando atravessava Saint-Etiene e fui apoquentado. Pouca vontade
em pedalar e sem forças. A bicicleta parecia que não andava, levei uma hora a
fazer 10km, de Monterrosso a Palas de Rei.
Primeira paragem para o bem vindo pequeno-almoço e para ver
se haviam alterações no meu comportamento físico-mental. Depois de bem
repastado, dirigi-me para a bicicleta, vi alguns ciclistas e peregrinos a pé
passarem num ambiente animado, mesmo muito animado e em voz com um volume bem
audível.
Talvez tenha sido contagiado pela boa disposição e
predisposição dos passantes e sem pensar duas vezes montei na minha bicicleta e
toca a dar aos pedais. Mas
que porra esta, que se passa afinal comigo hoje. Voltei a parar logo ali a
apenas um punhada de km. Bebi um golo de água, não é que tivesse sede, foi o
reflexo normal pela força do hábito. Olhei mais uma vez a bicicleta, uns murros
na sela, duas palmadas em cada face e questionei-me em voz alta de forma que
quem passa-se naquele momento e compreende-se Português perceberia que nada estava bem comigo.
Agradeci com voz comovida naquele momento
desolador e fui limpando as lágrimas da minha cara. Uns minutos depois e muito
devagar voltei a pedalar.Tanta coisa me passou pela cabeça mas nunca a vontade
em ficar por ali. Pensamentos positivos começaram a ocupar o meu espírito e aos
poucos fui pedalando com mais e mais vontade.
Continuei a cruzar-me
com peregrinos voltei a desejar bom camino, a ouvir bom camino, fui passando
também por alguns ciclistas que estavam consultando os seus mapas e outros
pedalando e assim me fui aproximando cada vez mais da luz que via ao fundo do
túnel.
É verdade que foi a mais curta de todas mas também uma das mais difíceis de levar a cabo. Foi assim até às portas de Santiago e logicamente quando cheguei à cidade… Ó grande Santiago de Compostela, obrigado pela tua companhia, pelo teu amparo e ajuda a terminar esta minha Viagem – Aventura – Convicção – Refleção.
À chegada à grande
praça não consegui tirar os óculos de sol por ser conveniente esconder a minha
emoção…
SOLIDARIEDADE PEREGRINA INEXISTENTE os grupos entre si e cada grupo para si mesmos, concerteza reviviam os momentos passados e os peregrinos solitários no meio daquela maré humana passavam despercebidos… era cada um por si e nem um olá de boas vindas.
Como mandam as regras de bom peregrino, passar no acolhimento
ao peregrino munidos do passaporte. Estavamos todos em fila para o carimbo
final assim como para o DIPLOMA OFICIAL
DO PEREGRINO.
A minha ida a
Finisterra não fêz parte da minha peregrinação em bicicleta.









































