terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Primeira etapa


1 etapa: Marly - Genebra  128km

Não, nunca tive medo em falhar, tal era a minha confiança em Santiago. Ele pedalou tanto quanto eu, a minha sombra e o meu espírito.

Viajei com tempo no tempo e foi o tempo que levei a viajar no tempo, que permitiu chegar onde cheguei nesta minha aventura de Marly-Fribourg a Santiago de Compostela. A espaços fui invadido pela ansiedade, muito do tempo em compania do encanto e sempre em minha mente, o desejo em lá chegar.

A cada km percorrido e em cada etapa desta minha viagem, fui-me libertando das expectativas  ilusionistas aproximando o meu espírito da natureza e da reflexão, a ponto de me sentir um verdadeiro peregrino por entre os peregrinos e a momentos, um solitário peregrino.

Sei que no momento, gozei o delírio colorido do milagre que aconteceu em mim - o milagre de ter transformado aquilo que fiz naquilo que sempre acreditei e na minha mente, pedalar mais e mais, sem nunca deixar de acreditar em todos os  momentos, no final feliz da história da minha viagem, aventura, convicção e reflexão.

A cada pedalada, o barulho dos pneus na estrada e o grrrrr…grrrrr… de tempos a tempos produzido pelos pedais, penso eu, ia interrompendo a espaços o silêncio do meu pensar, mas logo voltava eu para o sonho da minha Aventura.     
Não perdi nada em viajar no tempo com o tempo, cheguei à conclusão que a cumplicidade mental e física são importantes ingredientes para as grandes aventuras.


com passagem pela Catedral St. Nicolas de Fribourg. A etapa efetiva foi no dia 15 de julho 2016. Bem cedo saí de casa para levar a cabo o meu plano de antecipação das duas primeiras etapas. Fazia frio e até Rue pedalei debaixo de nevoeiro, em plêno mês de julho sem tirar o corta-vento e por diversas vezes tive que parar para limpar os óculos molhados do nevoeiro, através dos quais não conseguia ver um palmo à minha frente e como tal decidi continuar sem eles, não fosse o diabo tecelas.
 
Só quando cheguei a Lausana junto do lago em Ouchy, voltei a colocar os óculos bem limpos para ver melhor os km que marcava o GPS, enquanto isto ia aquecendo os pés regelados. Comia eu alguma coisa e caminhava para aquecer os refrigerados pés batendo-os com alguma firmeza a cada passo que dava. Enquanto isso a alguns metros de mim observei em direto a uma reportagem fotográfica, grandes flachs e refletores produzindo luz difusa para um modelo masculino, que se via pela área, deveria ser figura de tôpo. Até foi divertido ver como trabalham os profissionais da imagem no exterior. Depois da pequena paragem à borda d’água e sentir os pés mais confortáveis de quentes, fiz-me de novo à estrada e até à Rue du Prieuré 18 Genébra, foi sem dificuldade de maior reparo. Eu diria mesmo, foi um autêntico passeio. Não fiquei muito tempo pelas terras de (Genf), Genébra em Alemão, pés ao caminho e pelos passeios desta grande cidade, fui-me aproximando da estação para regressar de comboio até casa como previsto.

Estação dentro e sem largar a bicicleta que me seguia fazendo apenas o seu barulho normal de presença mecânica, fui-me aproximando da bilheteira com alguma dificuldade tal era o mundo que por ali estava -  mas que confusão. Foi bem complicado adequirir o bilhete e depois de o ter, fui-me aproximando como pude pelas escadas rolantes, até ao piso superior da estação. Se em baixo havia confusão, em cima era o caus, havia ameaça de bomba e como tal estava tudo em alvoroço. Com polícia extremamente arrogante por todo o lado, fui obrigado a entrar no único comboio existente nas linhas com destino ao Valais .

Numa grande confusão sem direito a um lugar sentado, junto da minha bicicleta, esta na posição vertical, como eu, quase sem nos podermos mexer e fui assim até Lausana onde nos esperava uma outra composição, com destino a Fribourg. Tive que correr para não ficar em terra e à pressa instalaram-me em primeira classe junto das escadas para o plano superior da carruagem. Até Fribourg nada de significativo a asssinalar. Missão cumprida.




 
 ( Esta passagem em Fribourg, foi uns dias antes e a um domingo, com o meu amigo Manuel Francisco.
Filmamos e fotografamos a simulada passagem em frente da Catedral e depois partimos para Romont onde também foram feitas fotos e filme).

 
a rua onde moro
 


A casa onde vivo
Hora H
 Partida bem cedo 
Rua acima

Muitas indicações dos caminhos a seguir






 
Estrada fora até Genebra


 

 








 















sábado, 14 de janeiro de 2017

ACR A(ventura) C(onvicção) R(eflexão )



Caminhar pela vida fora por vezes quase invisíveis e muitas vezes na sombra. Acompanhados ou não e fazer na medida do possível aquilo que se gosta, tentando sempre manter a boa disposição e nunca esquecer que somos o que somos, devido em grande parte aos amigos que temos.

Os homens distinguem-se por aquilo que fazem e não por aquilo que dizem que vão fazer. Perder tempo não é meu apanágio, porque sei que nos pode privar de descobrir coisas interessantes. Por isso mãos à obra e toca a partilhar aqui os momentos por mim vividos nesta minha aventura, convicção, reflexão.



Descobri e pratiquei desporto desde tenra idade. O atletismo e futebol, mais este que o outro, fizeram parte de mim até bem tarde. Quando correr e jogar à bola ficaram difíceis, fui começando a gostar de assisstir ao ciclismo na televisão, sobretudo as 3 grandes voltas mundiais : O Giro, o Tour e a Vuelta, por ordem de calendário. Não perdia uma etapa. Quis o destino e a fotografia, ( da qual sou amador à uns anos, por incentivo do meu compadre, Manuel Francisco), ter conhecido o meu melhor amigo, Marcelo Andrade (Carióca),amador da fotografia e amante do desporto em geral, que por força das circunstâncias, passou a grande praticante de bicicleta. Por arrasto e aventura, como à frente menciono, conheci também mais dois grandes amigos, o Ricardo ( Vedeta) e o João ( Jota).
 


 Na companhia do meu compadre Manuel Francisco 2015

Com os meus amigos, Marcelo, João e Ricardo. Pic-Nic Sion 2016

Uma voltinha de treino com o João e o Marcelo 2016
 
 
Foi em maio 2013 que acompanhei os meus dois amigos, Carioca e Jota, na sua grande Aventura (SONHO), de bicicleta, desde  Crans-Montana - Suíça / St Tiago de Piães - Portugal.

Conduzindo, filmando e fotografando os momentos inesquecíveis destes dois herois, foi germinando em mim o sonho de talvez me ser possível realizer a solo, uma aventura do género ao meu ritmo, até ao lugar mítico e conhecidíssimo, Santiago de Compostela e a partir do meu lugar de residência na Suíça.

Porquê Santiago de Compostela?

A mais ou menos meio percurso, a quando da aventura dos Herois, já em Espanha na cidade mediéval de Santo Domingo de la Calzada, fomo-nos cruzando com imensos grupos de peregrinos percorrendo os caminhos de Santiago de Compostela.

Desde esse dia foi crescendo em mim a certeza que era essa a minha vontade. Comecei primeiro por amadurecer o entusiasmo, conversando com amigos. Isto levou rapidamente a envolver-me nos preparativos e num primeiro tempo, com uma bicicleta velhinha, fui-me sentindo como se me estive-se já preparando para a grande aventura, a 3 anos de distância.
 A velha Ginga
 
Junto do meu dragão em Sugiez 2013
 
Pelas bandas de Estavayer du Lac 2013
 
As primeiras pedaladas foram muito complicadas. Como é meu timbre, aplico-me sempre a fundo com grande entusiasmo e me faz quase nunca desistir, mesmo sendo extremamente difícil. É verdade que não sou um grande ciclista, sinto isso, mas também é verdade que sou extremamente persistente e vou sempre mais além, por vezes além de mais.
Depois de tanto pedalar, sem grandes resultados práticos com a vellha ginga, acabei por comprar uma outra bicicleta muito mais moderna de marca Califórnia, com 27v e roda 26, género BTT ou se quisermos à  Francesa, VTT. Os treinos agora com muito mais entusiasmo, mas sempre difíceis sobretudo nas subidas, foram-se sucedendo mais a miudo e de maiores distâncias, para assim começar a compreender melhor as minhas capacidades e limitações.
Califórnia BTT  2015
 
Estavayer du Lac
 
Lac Noir
 
Os resultados com esta nova bicicleta continuaram a ser ínfimos, de difícil percepção e com algumas dúvidas sobre o meu sucesso na realização desta aventura. Para melhorar os resultados nos treinos, acabei por comprar uma outra bicicleta mais apropriada para estrada, uma Mérida Crossway 300, 27v, roda 28´’, pneu 35mm e devidamente equipada :
 
Mérida Crossway 300
 Yverdon les Bains 
 Com os meus amigos João e Ricardo em Morat
 No Lac Noir em março 2016 ainda com neve e muito frio
 
Treino em casa no improvisado ginásio 
 
Uma entre muitas corridinhas em Marly para variar
Fui adquirindo material indispensável como: Injetor, romendos e camara d’ar, luzes, espelho, uma bandeirola para melhor ser visto, um GPS Garmin, para melhor ver e conhecer os caminhos. Começou o ano 2016, os meus treinos continuaram a ser feitos em casa, pedalando no rolo, abdominais, pesos e de quando em vez uma caminhada ou corrida consequente. Quando a meterologia estava comigo, os treinos na estrada foram-se sucedendo metodicamente com etapas em km progressivos e sem exageros.E os treinos sucederam-se com a progressão esperada e desejada para que no dia D , tudo estivesse em plena forma.
 
E os treinos continuaram como atestam as imagens que se seguem:
Sugiez-Morat

Lac Noir

Yverdon les Bains

Romont

Lac Morat

Lac Noir

Marly

Romont

Lac Noir


Romont

Lac Morat

Lac Noir

No final de 15km de subida Gantrichs

Yverdon les Bains

Yverdon les Bains

Yverdon les Bains

No final de 15km de subida Gantrichs

Yverdon les Bains

Cudrefin


Cudrefin

Farvagny- começava a notar-se o bronze

Sem comentário

Yverdon les Bains

A caminho de Château d'Oex

Junto do canal que liga o lago de Morat ao de Neuchâtel
 
 
Espero apreciem esta minha partilha dos meus preparativos para a grande aventura convicção reflexão pelos caminhos de Santiago de Compostela.
Nas próximas partilhas vou narrar cada etapa desde Marly-Fribourg, 30.07.2016 até Santiago de Compostela 14.08.2016.