terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Décima Etapa

10 etapa : Saint-Jean-Pied-de-Port/Puente la Reina 100km


Foi complicado o domingo em Saint-Jean-Pied-de-Port, monótono sem ambiente. Este segundo dia de repouso permitiu-me refletir sobre por onde recomeçar na segunda-feira bem cedo.
Pequeno almoço num pequeno comércio onde por engano comecei por beber meia cerveja que peguei junto das cocas, embalagens semelhantes e como estava entalado com os bolos que comi, só quando me chegou o paladar da bebida me apercebi do erro.
Pelo caminho…grandes dificuldades, subidas curtas e íngremes, terreno não muito aconselhável  à minha bicicleta, mas com paisagens de cortar a respiração. Mas que bela é a natureza com tantos animais em semi-liberdade, milhentas ovelhas dezenas de cavalos aqui e ali, cabras e burros sem esquecer também de mencionar muitos e muitos peregrinos, espalhados por todo o caminho que fui percorrendo.
Os primeiros 7 km levei uma hora a percorre-los com muitos insentivos de quem ia a pé e os seguintes 14 km foram do mesmo grau de dificuldade, 21km em 3h até à fronteira lá bem no alto das montanhas onde me cruzei com um espanhol tendo eu e ele muitas dificuldades em perceber o que dizia-mos um ao outro.Eu fazia o esforço em espanholar o que dizia mas ele nada disso, apenas a sua própria língua a uma
rapidez digna de ciclista numa descida.
 
Continuei o meu caminho desta vez com inclinação descendente e em perigo permanente não pela inclinação mas antes pelo estado do terreno (muito mau), curvas bem fechadas e o vazio do meu lado esquerdo. Cheguei ao fundo com os meus pulsos bem doridos e inchados de tanto travar saltar como se de uma cabra-bicicleta conduzi-se eu, foi difícil.
 
Finalmente…uff, descançar um pouco em terreno nivelado e ver passar alguns peregrinos desejando-lhes bom camino, preparando-me para continuar desta vez destino Pamplona, linda cidade.
Encontro no ofício de turismo de Pampluna seriam 13h, respetivo carimbo, comer e beber algo, tapas de presunto,queijo e duas canhas. Ala que se faz tarde para chegar a Puente la Reina.

Quem diria ir encontrar tanta beleza por ali, eu não. Foi uma enorme surpresa. A parte moderna confundia-se perfeitamente com a antiga e o seu enorme e belo monumento principal, a egreja, bem no meio do povoado retilínio e comprido. A ponte, bem antiga e em muito bom estado de conservação, ponto de passage obrigatório de todos os peregrinos. Era sem dúvida o excelíbris principal desta cidade do passado, bem viva atualmente, não só por quem lá passa mas também por quem lá vive, tendo em conta a quantidade de esplanadas junto à estrada principal e no interior, pelas ruelas estreitas e na grande praça quadrada central, bem perto da dita e enorme igreja ou catedral, como se queira chamar.
Procurar o campismo, a 10km da cidade, muito bom, mas com muito vento e espaço para nós. Depois de Conque foi a noite que mais frio passei. Ficava bem no alto descampado, cujo barulho de fundo vinha da auto-estrada.
Mais tarde voltamos a Puente la Reina conhecer um pouco e escolher onde jantar tantas eram as possibilidades. Na esplanada que aterramos para beber muita cidra, ligamos o beber ao comer e vice-versa. Gostamos tanto que no dia seguinte foi lugar do nosso pequeno-almoço e mais uma vez muito bem servidos.
 
 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Nona Etapa

9 etapa: Saint Sever/Saint-Jean-Pied-de-Port 110km


Pensava eu ter entrado numa região mais plana, mesmo estando nas planícies de Landes, as terras eram fragmentadas e montanhosas, mesmo não sendo de  grande dificuldade foi quanto baste cansativa, talvez pelo fato de eu sentir que a famosa pausa de dois dias estava ali bem perto, ou verdadeiramente o cansaço e quem sabe talvez o saber que os Pirinéus estava para chegar.
Fui-me cruzando com maior frequência, por grupos de peregrinos por toda esta etapa, pois o percurso a pé para Santiago, nunca distava muito do meu e em boa parte era o mesmo.
Umas vezes « bon camino » outras « bueno camino », ia eu desejando a todos quantos passavam, obtendo de retorno um sorriso e, o mismo para ti, outras vezes conversava um pouco com os mais recetivos, conversas de pouca duração e um asté loégo


O meu objetivo tão importante quanto a chegada a Saint-Jean-Pied-de-Port, era passar por Sauveterre-de-Béharn, para aí recordar a passagem 3 anos antes com os meus amigos Marcelo e João. Aqui tinha-mos feito uma paragem aperitivo. Mas que branco bom e fresquinho ali bebemos na altura. Como foi bom ter voltado a Sauveterre. Desta vez parece que não estava tanta gente ou foi impressão minha.
Não tardei muito por ali pois ainda haviam alguns km antes do repouso e folga tão desejados. Rodas à estrada e toca a pedalar com destino a Saint-Jean-le-Vieux, onde tinha marcado encontro aperitivo com os meus acompanhantes Bilou e Clara.
Pequena aldeia, passagem obrigatória para quem fazia os caminhos de Santiago.Fiz uma entrada triunfal e de peito feito, juntei-me a quem me esperava para um brinde e palrear um pouco com outros peregrinos fazendo o mesmo que nós.

Meia hora depois decidi re-partir com destino ao tão desejado final.Feliz e com o sorriso de orelha a orelha fui-me aproximando de Saint-Jean-Pied-de-Port, que não distava dali, tentando reconhecer por onde já tinha passado, tudo estava intacto, a garagem das bicicletas, a rua principal com o casario de um lado e do outro, lá ao fundo a inconfundível rotunda. Mas que barulho ao longe que soava melodicamente bem,mas que surpresa. Quanto mais me aproximava melhor suava o barulho, era mesmo  música, tipo folclore. Como estava animada a cidade até parecia que estavam à minha espera. Lindo, mas que lindo mesmo, que alegria comovente eu tive.
Ainda tentamos acampar no Camping Europa mas por metade do preço, preferimos passar as duas noites e dois dias no parque municipal mesmo dentro da cidade.Tinha tudo o que precisava-mos e as estrelas que conseguisse-mos abservar e eram muitas, para quê pagar mais caro por mais cinco estrelas do outro camping.

Chegou o almoço muito bem acompanhado e regado.
Mas que delícia, huumm. Tudo em ordem…começamos o reconhecimento da cidade pela rua estreita do interior que percorria toda a cidade desde as duas portas da mesma. Entramos na igreja, simples e velhinha. Interrompi o padre que deveria estar a rezar, pois não parava de observer todas as pessoas que entravam e saíam e com o meu avontade habitual questionei-o sobre a possibilidade em obter o carimbo no meu passaporte, mas que simpatia e prontidão.
 Objetivo conseguido fomos comemorar com uma boa cidra. Caminhamos rua acima à descoberta.
Entrei no acolhimento dos peregrinos e cruzei-me com um casal Português a praticar o voluntariado na mesa de informação ao Peregrino. A nossa língua é extraordinária foi a mais bonita que ouvi lá dentro e eram muitas as faladas ao mesmo tempo, mas que salada de ediomas.

O resto do tempo em Saint-Jean-Pied-de-Port foi repouso visitas e esperar pela segunda-feira para a continuação da minha viagem com destino a Santiago.



 


 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Oitava Etapa

8 etapa: Condom/Mont-de-Marsens 85km

A chuva tinha caído toda durante a noite, o quê de melhor

para quem tinha que pedalar durante pelo menos 6h, foi o ideal. A promeça para mais um excelente dia estava bem patente no céu. Estrada fora direção a Montréal que rapidamente atingi devido à curta distância de Condom. Sem paragem prossegui caminho contemplando o que de belo se me apresentava. Fiz alto em Séviac, vila Galo-Romana. No momento considerei de menor importância e voltei à minha rota com destino ao objetivo do dia.
Parque campismo Saint Sever
A dado momento do percurso comecei a notar que no GPS, a bússola marcava  N  NE, isto começou a intrigar-me a ponto de começar a desanimar por me considerar estar a andar em sentido inverso do desejado e isto durante muitos km. Não aparecia nas placas de direção o nome desejado, Mont-de Marsans. Mas que chatice pensava eu, concerteza vou ter que voltar para tráz e foi esta ideia que minou a minha moral e vontade em pedalar. Parei, consultei o GPS  Sygic do télémovel e decidi continuar. Seja o que Santiago quiser, vou continuar neste sentido e se realmente estiver mesmo enganado chamo o carro de apoio para me colocarno caminho certo.

 
Mont de Marsens



Uns quantos km mais à frente passei pela placa indicando Villeneuve-de Marsans, um grande uff de alívio, mas o mal estava feito. Continuei até Mont-de Marsans com a moral ao mais baixo nível e à chegada a esta cidade e em viva voz para quem me quise-se ouvir, disse : hoje não faço nem mais um km, foda-se lá isto, não pedalo mais. Parei na esplanada onde estavam os meus companheiros da  assistência bem instalados. Bebemos umas fresquinhas mesmo em frente do Le 1900, onde três anos antes foi dada a partida da etapa dos meus amigos Marcelo e João, destino a Saint-Jean-Pied-de-Port.


Depois de bem refrescados, fomos almoçar no mesmo restaurante onde tinha jantado três anos antes com os meus amigos. Como foi bom rever-me de novo onde tantas alegrias e bons momentos tinha vivido.




Bicicleta no carro e fomos à procura de campismo que encontramos uns 20km depois direção de Horthez, mais precisamente em Saint Sever. Entretanto fomos reparar o carro, dois pneus novos, compras para o jantar, mas que bom estava. Toca a dormir, mais uma vez em campismo por sinal muito bom e como até aqui, de muito boa qualidade e tranquilidade,como devia ser tendo em conta a adrenalina causada pelo fato de no dia seguinte ser a abordagem e chegada a mais um lugar mítico, dos caminhos de Santiago de Compostela, Saint-Jean-Pied-de-Port. 

O jantar no parque de campismo em Saint-Sever próximo de Orthez