7 etapa: Cahors/Condom 130km
Mais uma vez e de carro, deslocamo-nos para fora da cidade onde foi a partida da etapa em bicicleta. Nada de novo, subidas e descidas com algumas longas retas. Sim, a forma física assim como a moral estavam em alta e os km sucediam-se de forma vertiginosa. Só mesmo um acidente ou incidente me poderiam fazer parar.
Rapidamente cheguei a
Tournon-d’Agenais e fiz paragem precisamente onde 3 anos antes, estivera com os
meus amigos Marcelo e João. Nessa altura foi final d’etapa e o jantar, na
cidade medieval. Costeletas de borrego grelhadas. Depois regressamos ao hotel e
a coisa ficou complicada com muito tinto à mistura oferecido pelo hoteleiro. Tivemos
que ser nós a desistir se não onde teria ido parar aquela brincadeira. Depois
de ter bebido um bom café e revivido o passado, foi a vez de continuar só,
pedalando feliz com destino a Condom.
Em Agen e à entrada da
cidade, voltei a socorrer-me do carro de apoio para atravessar a confusão. Recomeçando
um par de km fora da grande aglomeração, onde a estrada parecia ser mais calma
e toca a dar aos pedais com a mesma alegria, pensando apenas e só em chegar à
terra dos três mosqueteiros e Dartagnan.
Fui cruzando peregrinos
aqui e ali mas foi já em Condom, na praça principal em frente da Catedral onde
se encontra a inconfundível estátua dos hérois
justiceiros (uma espécie de Robim dos Bosques a 4 e à Francesa, onde o
que foi verdade se confundiu com muitas aventuras fabulásticas), que encontrei
imensos peregrinos esperando pela hora de carimbar o passaporte no interior da
Catedral.
No interior da Catedral e em grupos fomos recebidos
convivialmente. Foi-nos oferecido um xá e uns biscoitinhos, por sinal muito
bons, enquanto fomos ouvindo o que nos dizia um responsável dos amigos dos
peregrinos de Condom, muito simpático, divertido e grande conhecedor dos
caminhos e das suas histórias. Depois
de tudo nos transmitir foi a vez do tão desejado carimbo, o adeus e bom camino.
Foi um dos momentos altos desta minha aventura, o único desta forma tão calorosa
quase familiar.
Não levou muito tempo a
encontrar onde pernoitar, voltamos para onde tinha-mos entrado à chegada a
Condom, já debaixo de chuva e num grande cruzamento bem à frente dos nossos
olhos, ( Relais de Saint-Jacques Gite d’étape accueil pèlerin). Recebidos 5
estrelas cheios de simpatia e depois de
ocupar e pagar o nosso quarto (25 euros cada com pequeno almoço à grande) fomos
convidados pelos responsáveis ao copo de boas vindas (tudo sem álcool) no
exterior, numa varanda com acesso ao jardin das traseiras do Gite onde pastavam
alguns coelhos em liberdade total com entrada livre nos quartos, caso as portas
se encontrassem abertas. Mas que pena chover tanto naquele momento. Impedimento
forçado a não usufruir de tão convidativo e repousante recanto.
Entretanto algumas
compras para o jantar pois eram horas vistas no relógio e sentidas na barriga.
Mesmo sendo muito bem vinda, aquela pizza, foi concerteza a pior refeição de
todas. Numa mesa cheia, como numa casa de boa família, onde cada um tinha a liberdade
de comer e beber aquilo que era seu e ao mesmo tempo conversar cada grupo no
seu edioma, com tentativas de entendimento e uns sorrisos mais ou menos
amarelos ou não. Eles e elas eram ; Alemães, Belgas de Bruxelas, Italianos,Portugueses
e Franceses, cada um contando as suas histórias sobre os caminhos passados e
futuros.
Uma Sra Belga tinha os
pés num estado lastimoso, foi aliás a imagem à chegada ao Gite quando entramos
no corredor e esperava-mos o recepcionista, um dos proprietários, soubemos depois,
ocupava-se dos seus pés em posição no minimo intrigante e ela a Sra Belga
afirmava de viva voz estar pronta a seguir caminho no dia seguinte. Talvez pela
adrenalina causada vista a posição em que tinha os seus pés, colocados em lugar
sensível e suscetível em despertar a bela adormecida, ou não…
À mesa, o Sr Belga contava a sua história dizendo entre outras coisa, que estava farto da
mochila e que não tinha a certeza se ia continuar ou regressar a casa. Depois
de ouvir-mos variadíssimas conversas fomos descançar e deixamos o resto da
nossa garrafa para os mais resistentes, nesse momento já teimosos devido aos
líquidos ingeridos até ao momento em que deixamos a mesa. Como terá sido o dia
seguinte daqueles, também eu gostaria saber.






















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