quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Sétima Etapa

7 etapa: Cahors/Condom 130km


Mais uma vez e de carro, deslocamo-nos para fora da cidade onde foi a partida da etapa em bicicleta. Nada de novo, subidas e descidas com algumas  longas retas. Sim, a forma física assim como a moral estavam em alta e os km sucediam-se de forma vertiginosa. Só mesmo um acidente ou incidente me poderiam fazer parar.


Rapidamente cheguei a Tournon-d’Agenais e fiz paragem precisamente onde 3 anos antes, estivera com os meus amigos Marcelo e João. Nessa altura foi final d’etapa e o jantar, na cidade medieval. Costeletas de borrego grelhadas. Depois regressamos ao hotel e a coisa ficou complicada com muito tinto à mistura oferecido pelo hoteleiro. Tivemos que ser nós a desistir se não onde teria ido parar aquela brincadeira. Depois de ter bebido um bom café e revivido o passado, foi a vez de continuar só, pedalando feliz com destino a Condom.






Em Agen e à entrada da cidade, voltei a socorrer-me do carro de apoio para atravessar a confusão. Recomeçando um par de km fora da grande aglomeração, onde a estrada parecia ser mais calma e toca a dar aos pedais com a mesma alegria, pensando apenas e só em chegar à terra dos três mosqueteiros e Dartagnan.


Fui cruzando peregrinos aqui e ali mas foi já em Condom, na praça principal em frente da Catedral onde se encontra a inconfundível estátua dos hérois  justiceiros (uma espécie de Robim dos Bosques a 4 e à Francesa, onde o que foi verdade se confundiu com muitas aventuras fabulásticas), que encontrei imensos peregrinos esperando pela hora de carimbar o passaporte no interior da Catedral.


No interior da Catedral e em grupos fomos recebidos convivialmente. Foi-nos oferecido um xá e uns biscoitinhos, por sinal muito bons, enquanto fomos ouvindo o que nos dizia um responsável dos amigos dos peregrinos de Condom, muito simpático, divertido e grande conhecedor dos caminhos e das suas histórias. Depois de tudo nos transmitir foi a vez do tão desejado carimbo, o adeus e bom camino. Foi um dos momentos altos desta minha aventura, o único desta forma tão calorosa quase familiar.


Não levou muito tempo a encontrar onde pernoitar, voltamos para onde tinha-mos entrado à chegada a Condom, já debaixo de chuva e num grande cruzamento bem à frente dos nossos olhos, ( Relais de Saint-Jacques Gite d’étape accueil pèlerin). Recebidos 5 estrelas cheios de simpatia  e depois de ocupar e pagar o nosso quarto (25 euros cada com pequeno almoço à grande) fomos convidados pelos responsáveis ao copo de boas vindas (tudo sem álcool) no exterior, numa varanda com acesso ao jardin das traseiras do Gite onde pastavam alguns coelhos em liberdade total com entrada livre nos quartos, caso as portas se encontrassem abertas. Mas que pena chover tanto naquele momento. Impedimento forçado a não usufruir de tão convidativo e repousante recanto.






Entretanto algumas compras para o jantar pois eram horas vistas no relógio e sentidas na barriga. Mesmo sendo muito bem vinda, aquela pizza, foi concerteza a pior refeição de todas. Numa mesa cheia, como numa casa de boa família, onde cada um tinha a liberdade de comer e beber aquilo que era seu e ao mesmo tempo conversar cada grupo no seu edioma, com tentativas de entendimento e uns sorrisos mais ou menos amarelos ou não. Eles e elas eram ; Alemães, Belgas de Bruxelas, Italianos,Portugueses e Franceses, cada um contando as suas histórias sobre os caminhos passados e futuros.

Uma Sra Belga tinha os pés num estado lastimoso, foi aliás a imagem à chegada ao Gite quando entramos no corredor e esperava-mos o recepcionista, um dos proprietários, soubemos depois, ocupava-se dos seus pés em posição no minimo intrigante e ela a Sra Belga afirmava de viva voz estar pronta a seguir caminho no dia seguinte. Talvez pela adrenalina causada vista a posição em que tinha os seus pés, colocados em lugar sensível e suscetível em despertar a bela adormecida, ou não…

À mesa, o Sr Belga contava a sua história dizendo entre outras coisa, que estava farto da mochila e que não tinha a certeza se ia continuar ou regressar a casa. Depois de ouvir-mos variadíssimas conversas fomos descançar e deixamos o resto da nossa garrafa para os mais resistentes, nesse momento já teimosos devido aos líquidos ingeridos até ao momento em que deixamos a mesa. Como terá sido o dia seguinte daqueles, também eu gostaria  saber.
 




 
 
 



 

 



 

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