À hora prevista, pé
ante pé, fui descendo tendo em conta o cuidado a ter para não fazer barulho,
por causa dos outros peregrinos como nos tinha sido pedido a quando da nossa
entrada. Quando de repente atrás de mim, pumpumpumpum, o Bilou escorregou nos
últimos degraus e como eram de madeira, lá se foi o silêncio tão desejado. Não
houve feridos foi o mais importante.
Os dois a mesa a contas
com o pequeno-almoço, quando chegou um jovem peregrino ainda ensonado, com toda
a sua trouxa nos braços tudo desordenado e em muito mau estado. Tinha a moral física e mental ao mais baixo nível.Tentei encoraja-lo,
propondo-lhe que me fizesse companhia na continuação da viagem o que ele
declinou alegando não saber se ia continuar. Teria os seus 30 anos, praticava boxe
segundo ele e confessou nunca pensar serem tão difíceis os caminhos de Santiago
em bicicleta.
No dia anterior quando
confraternizava-mos com quem estava no acolhimento do gite, foi-me dito pelo
responsável do mesmo, que eu deveria fazer os caminhos, pois eram muito
bonitos, coisa a não perder. Seguindo o seu concelho, ainda fiz 1km mas logo
voltei para traz, tal era a dificuldade devido à minha bicicleta e au terreno.
Continuei a etapa como
tinha previsto e acabei por gostar imenso devido à diversidade de coisas bem
bonitas que fui vendo à medida que os km eram percorridos.
Durante esta etapa as
paragens foram constantes para consultar o meu GPS do telefone, pois haviam
tantos cruzamentos sem indicações de Nasbinals, que o melhor era mesmo ter certezas. A
partir de Nasbinals as indicações para Aubrac eram tantas e tamanhas que me
levou a criar em mim muitas expetativas e ânsias em lá chegar.
Pois mais uma vez não passaram de expetativas goradas. Uma pequena aldeia, mesmo pequena e antiga tendo em conta as construções existentes e que mesmo asssim não me despertou curiosidade. Segui estrada fora direção Espalion.
Aqui sim… não esperava tanta beleza junta. Entrada triunfante, rio com muitos e bonitos reflexos das suas pontes antiga e moderna, outros monumentos de rara beleza. Chegamos quase em simultâneo e fomos beber um bom café juntos.
Partida para Estaing a
pensar já em Conques. Estrada com alguma
circulação mas nada de grave.
Pois mais uma vez não passaram de expetativas goradas. Uma pequena aldeia, mesmo pequena e antiga tendo em conta as construções existentes e que mesmo asssim não me despertou curiosidade. Segui estrada fora direção Espalion.
Aqui sim… não esperava tanta beleza junta. Entrada triunfante, rio com muitos e bonitos reflexos das suas pontes antiga e moderna, outros monumentos de rara beleza. Chegamos quase em simultâneo e fomos beber um bom café juntos.
Chegada a Estaing, fiquei
de boca aberta encantado com esta pequena cidade medieval. Senti-me retroceder
no tempo.
Peguei no meu cavalo e
a pé com as rédeas na mão, fui caminhando pelas ruelas até acordar de novo para a realidade… a bicicleta
encostei-a à parede, máquina fotográfica na mão e vamos a isto.
Depois de Estang foi
difícil mas tive a recompensa…

Acompanhei o rio Lot durante muito tempo no sentido descendente.
Mas que maravilha de estrada
(graças à informação do Sr da pizzaria de Estang, onde para lhe agradecer,
comprei um bolo e uma coca), foram largos kms a grande velocidade e sem
dificuldades, direção Entraygues até apanhar a D904 e mais tarde D42 para
Conques.
A partir daqui, a porca
começou a torcer o rabo, fiquei a saber o porquê de nunca começar subidas em
bicicleta, sem ter no seu bornal os energéticos necessários para não passar o
que passei. Foram 26km, 17km dos quais sempre a subir e os restantes, só muito
perto de Conques eram favoráveis ao descanço.
Quando comecei a
subida acompanhei dois ciclistas, pai e
filho, que mais tarde fizeram alto (tinham aspeto de conhecer muito bem a zona)
e eu continuei como sempre, sozinho com os meus botões…não eram botões mas sim
fechos de correr… a minha bicicleta e a minha sombra, posso-vos garantir nunca
me abandonaram. Umas vezes mais brilhante e outras nem tanto e consoante as
curvas da estrada,diambulava da esquerda para a direita e eu aproveitava esses
momentos de proximidade para lhe lançar um sorriso de agradecimento.
O inevitável aconteceu,
pedalar…pedalar…pedalar e não abastecer nem descançar. Cheguei quase ao limite
das minhas forças, a bicicleta não andava como eu queria e eu sem nada para
comer nem mesmo as minhas habituais uvas passas. Só água e mais água, cada minuto
que passava pior ainda, tudo era longo, o tempo, os km, sentia-me extremamente
frágil, mas que sofrimento sem nada nem ninguém à vista, até que. Um pequeno
povoado de algumas casas, parei, abandonei a bicicleta encostada a um muro velho
e procurei a pé, por um café ou mercearia onde pudesse comprar algo, estava com
grandes debelidades físicas e para continuar o resto, que pensava eu não
deveria ser muito, tinha que reabastecer de energias.
Mas que grande ilusão
quando nos falta lucidez. Encontrei o que queria, repastei-me devidamente, bebi
duas cocas e levei outra para o resto do caminho, assim como mais duas
madalenas, não fosse o diabo tecelas.
Pernas ao caminho,
melhor dizendo,pés nos pedais e puchando pela ginga encosta fora. Não tenho
noção de quantos kms mais fiz e qual a sua dificuldade, senti-me rejovenescer cheio
de energia e mais uma vez de repente e sem contar, a surpresa foi enormemente
enorme.
Mas que Maravilha das
maravilhas e o retrocesso no tempo foi inevitável.
Voltava eu a cavalo mas
desta vez a trote, olhando para todos os lados, descendo aquela rua principal e única naquele sentido, com
pequenas ruelas à esquerda e à direita.
Dei comigo a pôr o pé
no chão pois a roda da minha bicicleta tinha resvalado numa das pedras da
calçada mais saliente. Parei, desmontei, não sei se do cavalo ou da bicicleta e
aqui sim, voltei ao presente.
Estava todo transpirado e com muita sede, sentei-me no
exterior de um bar, onde a muito boa cerveja artesanal refrescou a minha sequeosa
garganta. Parei antes do copo estar vazio por vergonha em ser visto como um goloso
e verdade seja dita, o preço e o efeito que poderia causar também tiveram a sua quota parte de
responsabilidade na minha decisão. Esperei
sentado que chegassem os meus invisíveis acompanhantes e voltei a pedir outra
que veio prontamente e bem fresquinha. Tal
era a minha sede.
Visitamos a cidade dos
encantos medievais onde se viam muitos hoteis e outras muitas lojas onde deixar
os euros bem protegidos dos olhares indiscretos.
A enorme catedral
fazia-se notar não pela beleza exterior mas sim pela sua imponência em relação ao resto
do povoado. Mas como é possivel pensei eu, tanta beleza no meio daqueles vales
e montanhas austeras e selvagens de Aubrac, passagem incontornável dos caminhos para
Santiago de Compostela.
Encontramos o parque de
campismo à saída de Conques no sentido inverso da minha chegada, descendo até à
margem do rio, o camping era muito bom.
O frio durante a noite
foi mais que evidente.























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