14 etapa : Lèon/Cacabelos
125km
Quando parti do parque
de campismo de Lèon levava a minha máquina preparada para fotografar o nascer
do sol que me pareceu ia ser lindo.Cidade pequena, muito bonita com um importante centro histórico onde se encontravam os pontos de interesse como a Catedral, o museu Romano e o Palácio Episcopal entre outros também de interesse.
Fiz uma paragem na
parte central em frente da Catedral e bem instalado num banco de jardim
pic-niquei tranquilamente e lá fui eu de novo estrada fora.

Algum tempo depois,
talvez uma hora, a estrada pela qual eu pedalava era praticamente toda para
mim, um ou outro carro, um ciclista apressado, deveria ter um encontro muito
importante tal era o andamento que levava.
Neste jogo de sobe e desce, foram tantos que quando chegava ao alto de um vislumbrava uns quantos mais bem lá longe. Era um deserto acidentado com calor de rachar e sempre sozinho com a minha sombra e a da bicicleta, continuava eu o meu calvário debaixo dum calor ardente,sofocante.
Centenas de vezes
repetido o gesto e desta vez como algumas mais, deixei de ter água, mas que
merda esta, o apoio não vem e eu a seco logo agora neste terreno hostil sem
viva alma à vista e ainda por cima não vislumbrava sequer riacho ou fonte nas
redondezas.
Quanto mais pedalava
mais me faltava pedalar, tal era o meu estado de fadiga, não sei se física ou
psiquica. Ui tantos filmes e qual deles o pior, já nem saliva tinha para
alimentar o desejo desenfreado em matar aquela secura tão forte, voltei a
procurar a garrafa levei-a à boca e nada saía. Parei encostado à berma e
escorrechei-a ao máximo para aproveitar algumas gotas que estavam no fundo.
Tinha que seguir em
frente, o sol era escaldante e nem sombra para me proteger. Mesmo lentamente
fui pedalando de forma a não me usar muito. De repente travagem brusca com
direito a marcar o alcatrão, mesmo ali ao meu lado, será que estou a ver bem ou
é uma miragem, uma espécie de tanque rectângular à minha direita e à sua volta
ervas verdejantes.
Um contra senso tendo
em conta toda a área de terras e serras que me rodeavam terem o tal aspeto
desértico cujo único movimento de vida era o meu o da minha sombra e o das
heólicas, florestas e florestas delas alinhadas e em movimento provocado pelo
vento.Terra de ninguém.
Abandonei a bicicleta e
mais ou menos rápido abeirei-me do retângulo de cujas paredes transbordava o
precioso liquido tão desejado. À superfície uma camada de musgo ou lodo
verdejante, menos onde caía a água límpida e cristalina de um tubo na parte
superior do dito retângulo num pequeno pilar para o efeito.
Bebi e tornei a
beber, enchi os meus bornais e preparei-me para continuar o meu caminho direção
Ponferrada.
Ponferrada, cidade
muito interessante onde enquanto esperava pelos meus dois socorristas, bem
instalado numa esplanada e em frente do castelo comi uma boa pizza e bebi duas
canhas.
À chegada dos dois
jovens foram mais duas noutra esplanada. Depois percorremos as ruelas obtivemos
o carimbo e mais duas ou três coisas.
Bicicleta pendurada e
mais uma vez toca a procurar onde pernoitar. Acabamos por encontrar um camping
em Villafranca Del Bierzo, praia fluvial com areia fina que mais tarde
aproveitamos um pouco as condições ali presentes.
Mais uma grelhada, uma
passagem curta pelo bar onde fui chamado à razão e bem por me ter estatelado
como se em minha casa me encontra-se. Bom, vamos embora, descançar é preciso,
boa noite e até amanhã se Deus e Santiago o permitirem.





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