sábado, 11 de março de 2017

Décima Quarta Etapa

14 etapa : Lèon/Cacabelos 125km

 


Quando parti do parque de campismo de Lèon levava a minha máquina preparada para fotografar o nascer do sol que me pareceu ia ser lindo.

 

 

 

 

A travessar a cidade de Lèon foi num ápice, das mais fáceis em toda a Espanha. O tráfego como em todas as outras era confuso, haviam passagens superiores e inferiores mas muito bem sinalizadas, não tive sequer um engano até chegar a Astorga.




Cidade pequena, muito bonita com um importante centro histórico onde se encontravam os pontos de interesse como a Catedral, o museu Romano e o Palácio Episcopal entre outros também de interesse.
Fiz uma paragem na parte central em frente da Catedral e bem instalado num banco de jardim pic-niquei tranquilamente e lá fui eu de novo estrada fora.




Algum tempo depois, talvez uma hora, a estrada pela qual eu pedalava era praticamente toda para mim, um ou outro carro, um ciclista apressado, deveria ter um encontro muito importante tal era o andamento que levava.
Neste jogo de sobe e desce, foram tantos que quando chegava ao alto de um vislumbrava uns quantos mais bem lá longe. Era um deserto acidentado com calor de rachar e sempre sozinho com a minha sombra e a da bicicleta, continuava eu o meu calvário debaixo dum calor ardente,sofocante.
 
Centenas de vezes repetido o gesto e desta vez como algumas mais, deixei de ter água, mas que merda esta, o apoio não vem e eu a seco logo agora neste terreno hostil sem viva alma à vista e ainda por cima não vislumbrava sequer riacho ou fonte nas redondezas.
Quanto mais pedalava mais me faltava pedalar, tal era o meu estado de fadiga, não sei se física ou psiquica. Ui tantos filmes e qual deles o pior, já nem saliva tinha para alimentar o desejo desenfreado em matar aquela secura tão forte, voltei a procurar a garrafa levei-a à boca e nada saía. Parei encostado à berma e escorrechei-a ao máximo para aproveitar algumas gotas que estavam no fundo.  
Tinha que seguir em frente, o sol era escaldante e nem sombra para me proteger. Mesmo lentamente fui pedalando de forma a não me usar muito. De repente travagem brusca com direito a marcar o alcatrão, mesmo ali ao meu lado, será que estou a ver bem ou é uma miragem, uma espécie de tanque rectângular à minha direita e à sua volta ervas verdejantes.
 Um contra senso tendo em conta toda a área de terras e serras que me rodeavam terem o tal aspeto desértico cujo único movimento de vida era o meu o da minha sombra e o das heólicas, florestas e florestas delas alinhadas e em movimento provocado pelo vento.Terra de ninguém.
Abandonei a bicicleta e mais ou menos rápido abeirei-me do retângulo de cujas paredes transbordava o precioso liquido tão desejado. À superfície uma camada de musgo ou lodo verdejante, menos onde caía a água límpida e cristalina de um tubo na parte superior do dito retângulo num pequeno pilar para o efeito.

Bebi e tornei a beber, enchi os meus bornais e preparei-me para continuar o meu caminho direção Ponferrada.  
 Ponferrada, cidade muito interessante onde enquanto esperava pelos meus dois socorristas, bem instalado numa esplanada e em frente do castelo comi uma boa pizza e bebi duas canhas.

À chegada dos dois jovens foram mais duas noutra esplanada. Depois percorremos as ruelas obtivemos o carimbo e mais duas ou três coisas.

Bicicleta pendurada e mais uma vez toca a procurar onde pernoitar. Acabamos por encontrar um camping em Villafranca Del Bierzo, praia fluvial com areia fina que mais tarde aproveitamos um pouco as condições ali presentes.

Mais uma grelhada, uma passagem curta pelo bar onde fui chamado à razão e bem por me ter estatelado como se em minha casa me encontra-se. Bom, vamos embora, descançar é preciso, boa noite e até amanhã se Deus e Santiago o permitirem.
 




 
 
 









 

 

 

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