
Ainda fazia noite
quando comecei esta etapa, era mesmo bem cedo, penso mesmo ter sido a etapa que
mais cedo comecei.
Como era escuro pude
ver um cordão vermelho-alaranjado bem lá longe, era de tal forma forte que se
viam as montanhas em penumbra, não haviam duvidas era mesmo um incêndio.
Pedalei durante 10km
até chegar a Villafranca Del Bierzo onde me cruzei com duas peregrinas. A luz pública
iluminava a pequena cidade ainda adormecida, uns 100m à minha frente estava um
café ainda ou já aberto. Encostei a bicicleta mesmo em frente da porta do
establecimento, não fosse haver problemas e sem tirar o capacete entrei. Buenos
dias… buenos dias ciclista…quieres algo…sim, um café com leite e algo para
comer. O empregado apresentou-me duas gordas fatias de bolo com aspeto caseiro
e ainda mornas, sinal de frescura penso eu. Mas que bem me soube este
pequeno-almoço.
Senhor, quero pagar a
minha despesa… pagas café com leito o resto é oferta da casa. Claro que
agradeci, bebi um outro café comprei mais duas madalenas de chocolate e voltei
à estrada.
Começava a nascer o dia
e os peregrinos eram numerosos. Os caminhos, a estrada que eu levava e a
auto-estrada entrelaçavam-se entre elas como se de uma corda de sisal se
tratasse, eu umas vezes à direita outras à esquerda dos peregrinos e da
auto-estrada e a espaços pelos caminhos.
Abandonei os caminhos e
de volta à estrada, recomecei na minha rotina tentando recuperar o tempo
perdido. Pouco antes de chegar a Pedrafita tive uma subida interessante, uma
dezena de km, voltei a passar por alguns ciclistas menos apressados.
Em Pedrafita fiz uma
paragem para abastecer em calorias e açucar, pois as subidas iam-se suceder com
mais frequência e a altitudes mais elevadas, isto durante largos km, antes de
uma grande descida toda ela também de largos km que terminavam às portas de
Sarria, cidade longilínea.Aproveitava eu a velocidade que me dava esta descida, entre 60 e 70km/h quando de repente e sem que nada o fizesse prever ia acontecendo o irreperável.
Fui com a roda da
frente fora do alcatrão, pisei o terreno macio e ao tentar puchar a bicicleta
de novo para a estrada, parti por esta fora sem control a grande velocidade zig
zag…esquerda e direita durante uma centena de metros até conseguir voltar de
novo à minha mão, entrei pela valeta em V, fui travando e acabei por caír a
0km/h por não ter conseguido soltar os pés dos pedais a tempo.
Passou-se uma grande
pausa, tive que procurar a garrafa da água e a gopro, cuspidas durante o
manobra forçada e depois foi o momento de agradecer a Santiago e a mais alguém por
me ter socorrido mantendo-me em boa forma física pronto a continuar o meu
caminho.
Passei os olhos rapidamente pela bicicleta e não constatando nada de grave prossegui o meu caminho, atravessei Sarria e logo à saída da cidade começaram de novo as subidas até Portomarin a escaços 20km de Monterrosso final da etapa.

Chegada a Moterrosso instalei-me numa esplanada à entrada do povoado junto da estrada por onde os dois jovens tinham que passar, o que não tardou a acontecer. Tinha apenas bebido uma canha bem fresquinha.
Levantei-me para pendurar a bicicleta e reparei na roda traseira completamente empenada de tal forma que no dia seguinte tinha que continuar até Santiago com a bicicleta suplente.
Fomos à procura do
camping ali bem perto, mas que camping, foi concerteza o melhor de todos. Piscina
natural, piscina artificial, mas que classe que ambiente, só vendo.
Durante mais de uma
hora tive que preparar a minha bicicleta suplente antes que chega-se a noite
pois havia ainda a tenda para montar, tomar banho, preparar o equipamento para
o último dia e finalmente jantar antes da deita e do repouso do guerreiro.
Durante mais de uma
hora tive que preparar a minha bicicleta suplente antes que chega-se a noite
pois havia ainda a tenda para montar, tomar banho, preparar o equipamento para
o último dia e finalmente jantar antes da deita e do repouso do guerreiro.






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