terça-feira, 28 de março de 2017

Décima quinta etapa

15 etapa : Cacabelos  -  Monterrosso 120km





Ainda fazia noite quando comecei esta etapa, era mesmo bem cedo, penso mesmo ter sido a etapa que mais cedo comecei.
Colete refletor, luz vermelha intermitente e outra branca mais para ser visto do que para ver. O Bilou levantou-se como eu bem cedo para me levar ao ponto de partida e voltou de novo para o camping.

Como era escuro pude ver um cordão vermelho-alaranjado bem lá longe, era de tal forma forte que se viam as montanhas em penumbra, não haviam duvidas era mesmo um incêndio.

Pedalei durante 10km até chegar a Villafranca Del Bierzo onde me cruzei com duas peregrinas. A luz pública iluminava a pequena cidade ainda adormecida, uns 100m à minha frente estava um café ainda ou já aberto. Encostei a bicicleta mesmo em frente da porta do establecimento, não fosse haver problemas e sem tirar o capacete entrei. Buenos dias… buenos dias ciclista…quieres algo…sim, um café com leite e algo para comer. O empregado apresentou-me duas gordas fatias de bolo com aspeto caseiro e ainda mornas, sinal de frescura penso eu. Mas que bem me soube este pequeno-almoço.

Senhor, quero pagar a minha despesa… pagas café com leito o resto é oferta da casa. Claro que agradeci, bebi um outro café comprei mais duas madalenas de chocolate e voltei à estrada.

Começava a nascer o dia e os peregrinos eram numerosos. Os caminhos, a estrada que eu levava e a auto-estrada entrelaçavam-se entre elas como se de uma corda de sisal se tratasse, eu umas vezes à direita outras à esquerda dos peregrinos e da auto-estrada e a espaços pelos caminhos.
Feliz por ver gente, fui distribuindo buenos dias e bom camino a miúdo tal era a quantidade de gente a pé. Vi alguns em plena dificuldade de marcha, grupos bem animados e alguns muito apressados. Foi nesta parte do percurso que me cruzei com um grande número de ciclistas.
Abandonei os caminhos e de volta à estrada, recomecei na minha rotina tentando recuperar o tempo perdido. Pouco antes de chegar a Pedrafita tive uma subida interessante, uma dezena de km, voltei a passar por alguns ciclistas menos apressados.
Em Pedrafita fiz uma paragem para abastecer em calorias e açucar, pois as subidas iam-se suceder com mais frequência e a altitudes mais elevadas, isto durante largos km, antes de uma grande descida toda ela também de largos km que terminavam às portas de Sarria, cidade longilínea.

Aproveitava eu a velocidade que me dava esta descida, entre 60 e 70km/h quando de repente e sem que nada o fizesse prever ia acontecendo o irreperável.

Fui com a roda da frente fora do alcatrão, pisei o terreno macio e ao tentar puchar a bicicleta de novo para a estrada, parti por esta fora sem control a grande velocidade zig zag…esquerda e direita durante uma centena de metros até conseguir voltar de novo à minha mão, entrei pela valeta em V, fui travando e acabei por caír a 0km/h por não ter conseguido soltar os pés dos pedais a tempo.


Passou-se uma grande pausa, tive que procurar a garrafa da água e a gopro, cuspidas durante o manobra forçada e depois foi o momento de agradecer a Santiago e a mais alguém por me ter socorrido mantendo-me em boa forma física pronto a continuar o meu caminho.

 










Passei os olhos rapidamente pela bicicleta e não constatando nada de grave prossegui o meu caminho, atravessei Sarria e logo à saída da cidade começaram de novo as subidas até Portomarin a escaços 20km de Monterrosso final da etapa.



 

Chegada a Moterrosso instalei-me numa esplanada à entrada do povoado junto da estrada por onde  os dois jovens tinham que passar, o que não tardou a acontecer. Tinha apenas bebido uma canha bem fresquinha.

Levantei-me para pendurar a bicicleta e reparei na roda traseira completamente empenada de tal forma que no dia seguinte tinha que continuar até Santiago com a bicicleta suplente.

Fomos à procura do camping ali bem perto, mas que camping, foi concerteza o melhor de todos. Piscina natural, piscina artificial, mas que classe que ambiente, só vendo.


Durante mais de uma hora tive que preparar a minha bicicleta suplente antes que chega-se a noite pois havia ainda a tenda para montar, tomar banho, preparar o equipamento para o último dia e finalmente jantar antes da deita e do repouso do guerreiro.

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