3 etapa: Saint Genis Laval
Puy-en Velay 130km
Toda a alegria se manifestou em ver a realidade do meu sonho. A vontade em pedalar era evidente em mim, estava à deriva por isso dei liberdade aos meus pensamentos, eram tantos que nem me lembro a ordem de chegada. Tudo estava claro em mim, tão claro que só pensava em começar o quanto antes…vamos Bilou, dizia eu ao meu afilhado, estou ansioso em pedalar. E lá fomos ouvindo música, trauteando…até foi rápido.
O desânimo era total. Percorri alguns km de carro até zona segura, Firminy.
Voltei à bicicleta sem
grande convicção, sem forças e vontade para pedalar. Estradas muito
largas,muito trânsito, subidas pequenas mas constantes e com o passar do tempo
e muitos filmes na mente, consegui chegar a Puy-en-Velay.
Mas que boa surpresa, ainda
bem, pois estava a precisar libertar-me dos negativismos vividos em todo o
tempo que pedalei neste dia. Levei algum tempo a me dedicar única e
exclusivamente a apreciar o que de belo tinha esta cidade. Ficamos admirativos
contemplando fugazmente por onde íamos passando e de repente mas que Catedral
imponente bem lá no alto.Havia sede e vontade de repouso… toca a ocupar lugares
na grande esplanada e vamos a elas, fresquinhas e ávidas em nos sacear. Depois
de recompostos e hidratados, decidimos ir percorrendo cidade dentro, as ruelas
de calçada antiga e repletas de povo, escadarias em todas as direções, mas sem
dúvida a mais difícil foi a que nos levou até ao interior da catedral,
interminável com gente subindo, descendo e muitos sentados por aqueles degraus
acima e abaixo, à medida que íamos subindo. Algumas fotos, olhar para a
esquerda e para a direita, para cima e para traz, até me encontrar em frente da
imagem de Santiago de Compostela. Ela de madeira e sem o ante-braço e mão
direitos.
Estava-mos em amena
cavaqueira silenciosa com o Santo, eu o
Abílio e a Clara, quando apareceu uma freira a tratar de limpar um pouco à
volta do Santiago, aproveitei o momento para meter conversa sobre como se
passava para obter o carimbo no meu passaporte de peregrino, contando-lhe desde
onde vinha e para onde tencionava ir.
A religiosa
disponibilizou-se logo a tratar do meu carimbo e ao mesmo tempo deu-me duas
medalhas que supostamente seriam benzidas no final da missa no dia seguinte. Medalhas
essas que ofereci, uma à Graça minha grande companheira e a outra , ao meu
grande amigo Marcelo Carioca.
Depois da Catedral, os
três percorremos a cidade velha, subimos muitos mais degraus até à cabeça da
grande imagem de Nossa Senhora de Puy e pelo interior desta. De seguida e
sempre a descer passagem pelo hotel, fazer o habitual e voltar a saír. Bebemos
umas cidras e um excelente jantar, onde um mês mais tarde, voltei como
prometido com a minha dulcineia.




























































